quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ALCA, um grande "prejuízo" para os brasileiros.

Um dia desses eu me lembrei de algo que passava nas propagandas políticas quando eu era mais jovem, a ALCA (Área de livre comércio das américas). As propagandas alegavam que a ALCA seria prejudicial para o Brasil então resolvi pesquisar e descobrir se seria mesmo, afinal, política é persuasão em favor de alguem que quer se beneficiar, não persuasão em favor de alguem que quer beneficiar uma nação.

Pelo que li até agora, posso adiantar que a ALCA visa colocar um comércio livre de taxas alfandegárias entre seus países-membros, já temos o primeiro problema da ALCA aqui, o que seria de nós brasileiros se nós pudessemos comprar produtos de alta tecnologia e qualidade pagando apenas o que eles valem de verdade? Como seria nossa vida comprando um produto de 1000 dólares sem pagar 300% de imposto? Como seria nossa vida pagando um preço justo pelos produtos importados?

Eu não sei se conseguiria viver assim, eu ficaria cabisbaixo e insatisfeito se eu pagasse um preço justo pelos produtos, na verdade, eu prefiro mesmo é pagar os 300% de tarifas alfandegárias.

Existem argumentos de que a economia americana tem muito mais setores fortes que a nossa, e que isso quebraria nossos setores fracos, a primeira resolução que aconteceu em relação a isso foi na Reunião do Comitê de Negociações Comerciais (CNC), onde foi apresentada a primeira lista de ofertas de desgravação tarifária para os países membros da ALCA. Foram definidas quatro fases para efeito de desgravação:

- primeira fase, imediata;
- segunda fase, até cinco anos;
- terceira fase, até 10 anos;
- quarta fase, acima de 10 anos, ou seja, sem prazo definido.

Os setores mais fortes seriam colocados na primeira fase, ou seja, teriam seus impostos anulados imediatamente, já os outros setores, dependendo de sua força, teriam suas taxas cortadas em 5,10 ou mais de 10 anos. Em outras palavras, eles teriam de mais de 5 anos para se adaptarem.

Existem também considerações a se tomar pelos setores fracos. São justamente esses setores que nos irritam com produtos/serviços de péssima qualidade, o que seria de nós se nós pudéssemos consumir produtos desses setores com mais qualidade?

Valverde e Teixeira (1997), ao utilizarem o modelo GTAP e sua base de dados, segunda versão, discutiram o possível impacto da Alca no mercado internacional. Os resultados para o Brasil sugerem que a Alca teria pequeno impacto, mas positivo, em todos os indicadores econômicos.

Figueiredo, Ferreira e Teixeira (2001), por meio do modelo de equilíbrio geral aplicado, GTAP, avaliaram os efeitos de possível acordo de livre comércio entre a União Européia e os países da América Latina e Caribe sobre a agricultura brasileira e européia. Nesse estudo, concluíram que os benefícios da liberalização seriam concentrados nos setores de maior vantagem comparativa, agronegócio para o Brasil e manufaturados para a União Européia, com a criação de comércio.

Cypriano e Teixeira (2001) analisaram a criação da Alca, por meio do modelo GTAP na versão 4, na perspectiva dos impactos causados no setor agroindustrial da economia brasileira e dos demais países do Mercosul. Pelo estudo, concluíram que haveria vantagens para esses países com a criação da Alca, que eliminaria ou não distorções causadas pelos subsídios à exportação e à produção, as quais são praticadas, principalmente, pelos Estados Unidos.

Fonseca e Hidalgo (2004), por meio do modelo de equilíbrio parcial de bem-estar de Laird e Yeats (1986), constataram que a formação da Alca, no período de 1999 a 2000, levaria a um aumento das exportações agrícolas brasileiras, principalmente de café, soja e carnes.

Gurgel e Campos (2003a, 2003b), em seus estudos sobre os impactos da formação da Alca sobre a economia brasileira, demonstraram que a completa eliminação de tarifas às importações entre os países membros elevaria em 0,1% o nível de bem-estar da população brasileira, no caso de retornos constantes à escala, e em 0,6%, quando se considera os efeitos de economias de escala. Harrison et al. (2003) constataram que a criação dessa área de livre comércio poderia aumentar o nível de bem-estar da economia brasileira em até 0,6%, o que corresponderia a US$ 3,1 bilhões.

Para Ferreira Filho e Horridge (2004), a criação da Alca, com total eliminação das tarifas de importação pelos países envolvidos, aumentaria em 0,7% o Produto Interno Bruto (PIB) real brasileiro.


Um dos parágrafos mais interessantes do texto é este:

Torna-se evidente que a maior abertura comercial entre as economias mundiais, no caso particular da formação da Alca, é importante para que essas possam ampliar suas relações comerciais e, assim, obter maior inserção no comércio internacional e posição mais estratégica diante dos mercados concorrentes. Contudo, para obter ganhos, os países precisam ser competitivos ante a concorrência internacional. Nesse contexto, este estudo objetivou avaliar os impactos da criação da Alca, com desgravação tarifária gradual, nos principais indicadores macroeconômicos da economia brasileira.


É aqui que eu acredito residir o problema, competitividade. Nosso país não parece gostar disto, digo porque nunca percebo uma concorrência plena entre as empresas aqui instaladas, parece que temos algum tipo de acordo entre elas para que todas elas sobrevivam simbioticamente, até aí a história é muito bonita, mas falta de competitividade fode o consumidor. Você pensa que pode achar o produto mais barato, mas não pode, todos os preços são fixados de forma abusiva e quem perde com isso somos nós. Obviamente os grupos de amiguinhos que não querem se dar ao trabalho de competir pressionam os políticos, que por sua vez nos mostram informação manipulada e nós não gostamos da idéia, até fazemos protestos sem sequer saber nem empatizar sobre a ALCA.

Com a ALCA, teríamos produtos de melhor qualidade, com menor preço e mais capacidade de desenvolvimento no longo prazo.

Nota: O brasil aderiu à ALCA, mas parece manter políticas muito restritivas em relação a ela.

Nota 2: Eu vou continuar pesquisando para descobrir se estou realmente certo, mas o que tudo indica é que nossos representantes adoram receber nossos tributos.

Fontes:

Wikipedia

Nova Economia

Site da ALCA em português

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